Cinco anos após pandemia, nada mudou para profissionais da saúde
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    Cinco anos após pandemia, nada mudou para profissionais da saúde
    Autor: Redação SindSaúde-SP
    14/03/2025

    Crédito: SindSaúde-SP

    Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitia um parecer que qualificava a Covid-19 como pandemia e determinava um dos momentos mais graves da história da humanidade. 

    Até março de 2023, cerca de 700 mil pessoas morreram no Brasil por conta da doença e a OMS estima que cerca de 15 milhões vieram à óbito no mundo todo. Estabelecimentos de todos os tipos fecharam, as pessoas deixaram as ruas, mas alguns setores não puderam parar. 

    Foi o caso das trabalhadoras e trabalhadores da saúde, que arriscaram a própria vida para salvar milhares. Perdemos centenas de companheiras e companheiros que foram acometidas exercendo seus trabalhos. 

    Porém, passados cinco anos, os profissionais considerados heróis, que ganharam homenagens e palmas da sociedade, retornaram à situação de inviabilidade e segue desvalorizados e atuando em más condições de trabalho. 

    O tão sonhado e prometido reconhecimento salarial e profissional nunca chegou: os concursos públicos seguem raros, os salários baixos e a estrutura péssima em São Paulo, o maior e mais rico estado do país. Prova disso é a pauta de reivindicações da campanha salarial deste ano aprovada pelo SindSaúde-SP que segue a inclui itens básicos para qualquer categoria. 

    Além do reajuste inflacionário de 4,70%, aumento real de 2% e a recomposição das perdas em 48,6%, o sindicato pede reajuste do vale-alimentação para R$ 57,09, valor médio da refeição da cidade de São Paulo no ano de 2024, de acordo com Pesquisa Preço Médio Refeição, realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT). Muito distante dos vergonhosos R$ 12 fornecidos em algumas unidades da Secretaria Estadual da Saúde (SES), autarquias e demais secretarias do estado.

    A situação precária com a qual conviveram os profissionais da saúde ceifou a vida de ao menos 4.500 pessoas entre março de 2020 e dezembro de 2021 no Brasil, segundo levantamento da UNIGlobal. Cenário que levou o governo brasileiro, então comandado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a ser denunciado em fevereiro de 2022, no Tribunal Penal Internacional, de Haia. 

    Junto a isso há também o caso de profissionais que sofrem com as sequelas da Covid-19, responsáveis por afetar aspectos pessoais e profissionais, além da das dificuldades que o SindSaúde-SP e outras organizações sindicais enfrentam para provar a doença ocupacional na justiça. 

    Os impactos ás vidas, porém, porém, pareceram não comover governos como o de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, que deixa muito a desejar no comprometimento com a saúde pública. 

    Durante todo esse período, o SindSaúde-SP se engajou em parcerias para estabelecer proteções a trabalhadoras e trabalhadores que tenham de lidar com uma situação semelhante na área da saúde.

    Além de atos para cobrar responsabilidade da SES, o sindicato assinou uma carta com demandas pelo Tratado da Pandemia da OMS ao lado de outras 23 organizações na qual reivindicam medidas para garantir trabalho decente ao pessoal da saúde e a reinclusão de uma cláusula que tratava sobre a necessidade de priorizar equipamentos de proteção adequados para quem está na linha da frente durante as pandemias.

    O SindSaúde-SP e as organizações que defendem os profissionais do setor também cobram disposições que defendam o trabalho digno e que reconheçam o papel essencial dos profissionais. 

    Outro ponto fundamental e que deve estar presente no documento é a garantia de financiamento público de bens públicos e o compartilhamento de produtos de saúde, inclusive tecnologias de medicamentos para muito além do lucro, além da propriedade intelectual em todos os casos de emergência de saúde pública. 

    Passados cinco anos, o que deveria ser uma lição trouxe pouca ou nenhuma mudança promoveu a respeito da importância do financiamento público e da valorização de quem carrega a saúde nas costas. Será necessária uma nova pandemia para que possamos enxergar o óbvio?