Brasil não tem saneamento básico para todos e SP recebe prêmio por privatização da Sabesp. Sério isso?
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    Brasil não tem saneamento básico para todos e SP recebe prêmio por privatização da Sabesp. Sério isso?
    Autor: Gervásio Foganholi, presidente do SindSaúde-SP
    26/03/2025

    Crédito: SindSaúde-SP

    A falta de saneamento básico provocou 344 mil internações no Brasil em 2024, segundo pesquisa divulgada na última quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil. A pesquisa destacou ainda que a universalização do serviço reduziria em 86.760 o número de internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado e consequentemente, desafogaria o Sistema Único de Saúde (SUS). 

    A perspectiva é que isso reduziria em R$ 49,9 milhões os custos com internação que impactam os cofres públicos. 

    Por um lado, a análise demonstra que o SUS segue fundamental ao país e ainda é a maior rede de acolhida do mundo, não apenas no tratamento de saúde, mas como princípio. Isso porque um de seus pilares é a prevenção às doenças, com a demanda de políticas públicas capazes de levar saúde e dignidade à população. 

    Por outro, isso nos lança ao questionamento sobre o que efetivamente os governos têm feito. No estado de São Paulo, a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem apostado na privatização de equipamentos públicos tanto quanto possível. Com exceção da área de segurança, onde está uma base fundamental de apoio, todos os demais segmentos, inclusive a educação e saúde, estão na mira. 

    Em julho de 2024, a Sabesp, então responsável pela gestão pública do saneamento no estado paulista, foi privatizada e negociada com a Equatorial Participações e Investimentos. A empresa só possuía experiência no setor elétrico nos estados do Norte e Nordeste, onde acumulou R$ 60 milhões em multas aplicadas pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agergs).

    Ainda assim, São Paulo recebeu dois prêmios pela venda. O primeiro da International Financing Review (IFR) e o segundo da LatinFinance, ambas publicações do setor financeiro. As revistas, inglesa e estadunidense, mostram a quem interessa e é importante abrir mão da soberania nacional. 

    Para o olhar estrangeiro ao Brasil, pouco importa as condições sociais, os impactos na qualidade de vida, quantas pessoas serão salvas e como a manutenção de um patrimônio como a Sabesp influenciará a saúde pública. Mas essa não deveria ser a visão de um gestor com qualquer compromisso em relação à população, especialmente a mais pobre. 

    Quanto mais abrimos mão de nossas empresas e unidades de saúde, maior o comprometimento do futuro paulista e nesse processo, os parlamentares da base do governo, que aprovaram a venda, também tem responsabilidade. 

    O SindSaúde-SP segue a defender a ampliação do investimento no SUS, o combate às privatizações das unidades de saúde e a reestatização da Sabesp e da Enel. O caminho inverso, não há dúvidas, cobrará um preço muito caro. 

    *Gervásio Foganholi é presidente do SindSaúde-SP