Artigo
Quando um golpe militar apoiado por forças conservadoras lançou o Brasil ao obscurantismo após arrancar do poder o presidente eleito João Goulart, do dia 31 de março para 1º de abril de 1964, o desejo era que tudo aquilo fosse mentira.
Lamentavelmente, não era e a dura verdade espalhou mortes, tortura, repressão e atraso econômico e social por 21 anos, oficialmente. Isso porque, extraoficialmente, muitos dos filhotes daqueles tempos de horror caminham como zumbis, elegem parlamentares e lideranças executivas, defendem a barbárie como se fosse a mais normalidade e seguem a decretar que a saída para todo problema é a violência.
O 1º de abril não é o dia da mentira, mas da memória, da resistência, especialmente para organizações como o SindSaúde-SP que, tem entre seus membros, trabalhadores(as) que forjaram a existência desta entidade na luta pela redemocratização do país.
Ninguém como as mulheres negras sabem o que a ditadura arrasta para nossas casas, nas periferias, onde não há mandado de prisão, mas execução por parte de uma polícia que segue militar e que tem o povo pobre, os lutadores pela democracia, os que defendem a classe trabalhadora como inimigos.
A ditadura segue viva, porque não é mais questionada, combatida e transformou-se em um mal necessário. Nunca foi, nunca será e não há nação que consiga se desenvolver decentemente sob uma ditadura, porque não há igualdade, liberdade, comprometimento com a distribuição de renda e direitos.
Hoje lembramos de todos aqueles que nos antecederam e pagaram com a vida por um 1º de abril que foi verdadeiro e deixou um legado ainda muito vivo, mas que precisa ser exposto. Porque por trás de cada ação de homofobia, misoginia e racismo, por trás de cada diretor truculento que maltrata dirigente sindical e humilha trabalhadoras e trabalhadores que zelam pela saúde no país, há um ditador.
Ditadura nunca mais! Anistia jamais!
Janaína Luna é Secretária-Geral do SindSaúde-SP