Notícia
Os termômetros marcavam 60 ºC na sala de esterilização de materiais da odontologia na UBS Belenzinho, na zona leste da capital paulista, no dia 19 de fevereiro, 35º C acima da temperatura máxima permitida pela Norma Regulamentadora (NR) nº 17 e calor superior ao que o corpo humano suporta.
Um cenário que demonstra as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da saúde pública e que levaram uma comissão do SindSaúde-SP a fiscalizar a situação da unidade. Quando os dirigentes chegaram, por volta de 10h da manhã, encontraram o termômetro da sala de odontologia marcando 29,5 ºC.
A NR-17 aponta que a gestão “deve adotar medidas de controle da temperatura, da velocidade do ar e da umidade com a finalidade de proporcionar conforto térmico nas situações de trabalho, observando-se o parâmetro de faixa de temperatura do ar entre 18 e 25 °C para ambientes climatizados.”
O secretário de Saúde do Trabalhador, Carlos Alberto Gabriel Jr., a diretora do SindSaúde-SP da região Leste I, Adriana Arduino, e o delegado sindical de base, Carlos Alberto Denelle Spadacci passaram em todas as salas e consultórios para verificar a alta temperatura e ouvir as queixas dos(as) trabalhadores(as) e da população em meio ao calor.
Após a ação, se reuniram com a gerente da unidade, que atualmente é gerida pela Organização Social de Saúde (OSS) Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) e cobraram que sejam tomadas medidas para adequar o ambiente e proporcionar conforto térmico tanto para os profissionais quanto para a população.
A gerente da unidade, informou que assumiu o cargo há pouco mais de um ano e foi identificado a necessidade da instalação de nove aparelhos de ar-condicionado. Contudo, a OS aprovou apenas dois, um na sala de odontologia e outra na sala de vacinas. “Segundo ela, esses aparelhos estão com previsão de entrega em março e ainda não existe um tempo para efetiva instalação”, criticou Adriana.
A gerente também informou que a unidade recebeu a doação de três ventiladores, que serão instalados na recepção e no corredor dos consultórios.
Estes fatos demonstram, mais uma vez, que privatizar não é a solução para os problemas da saúde da população, tendo em vista, que além de não serem instalados o número de aparelhos de ar-condicionado necessários, a unidade segue dependendo de doações, enquanto o município paga milhões em contratos de gestão para a SPDM.
Após a negociação, foi acordado que o SindSaúde-SP acompanhará as reuniões do Conselho Gestor da Unidade e assim continuar lutando por melhores condições de trabalho para os profissionais e de atendimento para a população.
Outros problemas
A comissão do SindSaúde-SP também identificou que falta acessibilidade na unidade, que não tem rampa de acesso aos pavimentos superiores. “A gerente nos informou que há a previsão de instalação de plataforma elevatória na escada existente para resolver a questão”, relata a diretora regional.
Calor extremo: o que fazer?
“Não foi o primeiro caso de denúncia por conta das altas temperaturas que recebemos. Trabalhadores do Hospital Geral de Vila Penteado e do Hospital Ipiranga também já nos procuraram”, afirmou o secretário de Saúde do Trabalhador.
Gabriel informa que os(as) trabalhadores(as) que estiveram passando por situação semelhante, devem entrar em contato com nossos(as) os(as) diretores(as) regionais, para que seja realizada a fiscalização na unidade e cobrado do governo as providências adequadas.