Notícia
O sol quente não intimidou trabalhadoras e trabalhadores da saúde de várias cidades do estado de São Paulo que estiveram na manhã desta terça-feira (25) diante do Hospital Regional de Sorocaba para protestar e cobrar providências diante dos atos de violência praticados contra a diretora do SindSaúde-SP da região de Sorocaba, Cíntia Lopes.
No dia 11 de março, o gerente-executivo da Organização Social Serviço Social da Construção (Seconci), Bruno Toldo, responsável pela gestão do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), apertou o braço e empurrou a diretora, quando foi abordado pela dirigente.
Na abertura do ato, Cíntia agradeceu o apoio e apontou que a postura não iria intimidá-la. “Recebi ameaças de morte e de transferência, mas não vão me calar. Aliás, por que o Bruno Toldo não transfere quem está querendo, mora em outra cidade e espera há meses pelas respostas dessa gestão. O que não querem é que denunciemos questões como falta de leitos e elevadores que estão sempre quebrados”, criticou.
A dirigente apontou ainda que faltam material cirúrgico, lençol, material de esterilização, fraldas e que os aparelhos de ar-condicionado estão sempre quebrados.
A mobilização contou com o apoio de representantes de sindicatos parceiros como trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos, rodoviários, do ramo vestuário, da borracha, do Sindialimentos, SinSaúde e da Secretária Estadual de Mulheres da CUT-SP Márcia Viana.
Também estiveram presentes organizações sociais como o Comitê de Lutas Mulheres pela democracia, e assessores dos vereadores Yara Bernardi, Fernanda Garcia, Izidio de Brito, Raul Marcelo e Barba.
Ao longo da manifestação, muitos pacientes se aproximaram dos dirigentes do sindicato para apresentar reclamações, a principal delas, o tempo de espera por atendimento.
Em vez de se empenhar para resolver essas questões, Toldo e outros gestões da Seconci se preocupam em abafar as denúncias, conforme pontuou o Secretário de Assuntos Jurídicos do SindSaúde-SP e dirigente com base na cidade de Sorocaba, André Diniz, o Pudim.
“Já sofríamos restrições impostas desde 2018 com as gestões da Seconci que se sucederam. Esse gerente não está aqui desde esse ano, mas o método sempre foi o mesmo, não é algo ao acaso, essa postura é institucional e o assédio é proposital”, afirmou.
A mobilização que terminou com trabalhadoras e trabalhadores de mãos dadas em sinal de união contra a violência direcionada a Cíntia e uma marcha ao redor do CHS apontou também que a manifestação era apenas o início de um processo de enfrentamento, caso a postura não mude e o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) se omita.
Secretária-geral do SindSaúde-SP, Janaína Luna, apontou que, no mesmo momento em que ocorria o ato, o sindicato também cobrava providências sobre o caso do secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Eleuses Paiva, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e finalizou com algumas ações que serão adotadas pelo sindicato.
Segundo ela, o SindSaúde-SP vai pedir uma auditoria na Comissão de Finanças da Alesp sobre o contrato da OS para verificar por que faltam insumos se dinheiro público está sendo repassado pela Seconci. Além disso, a entidade tem reunião marcada com a Secretária de Saúde nesta quinta-feira (27), quando irá pautar a postura violenta dos gestores, e ingressará também com uma ação no Ministério Público do Trabalho.
“Esse não é o fim, mas o início do nosso protesto e se precisar voltaremos, até que Toldo e companhia caiam”, garantiu.
Dirigentes do sindicato apontaram ainda que não toleram nenhum tipo de violência ou assédio nos locais de trabalho e que qualquer trabalhadora ou trabalhadora que enfrentar esse tipo de violência, seja de forma física, moral ou sexual, deve procurar o sindicato.